domingo, abril 20, 2008

"Uma colecção de nostalgia"



Agradecemos ao "O primeiro de Janeiro" pela iniciativa que tiveram de nesta publicação falarem da nossa loja.


"Situada no coração do Porto, a Collectus é uma loja de coleccionismo, onde é possível encontrar um pouco de tudo. Uma caixa de fósforos, um selo raro, um bilhete da STCP do principio do século. Tudo o que possa preencher o imaginário do coleccionador.

No real erario se hade pagar ao portador desta apolice de hoje a hum anno dez mil reis”. Carimbada com o selo de D.Pedro IV, a apólice é datada de 1799. É um dos muitos itens da Collectus, loja de coleccionismo do Porto. Ali, no número 8 da Travessa de Cedofeita, é possível recuar no tempo e encontrar um pouco de tudo. Caixas de fósforos, calendários, moedas, notas, selos, pacotes de açúcar, caixas de chocolates, rótulos de bebidas, lotarias antigas e até um Guernica “roubado” directamente do Reina Sofia.
No dia 3 de Novembro de 2005, a loja ocupou o espaço, até então preenchido por uma loja de roupa infantil, «O Brincalhão». Íris, 32 anos, recorda a data como com precisão. Juntamente com a irmã, Luciane, 30, resolveram dar o passo, encorajadas por um estudo de mercado que lhes garantia um interessante nicho de mercado e pelo pai, que também está no negócio das antiguidades e do coleccionismo.
As recolhas de material, por vezes adquirem contornos curiosos. Muitos coleccionadores cansam-se das colecções e decidem desfazer-se delas. Outros, desgostosos por saber que as suas compilações não são apreciadas pelos filhos e receosos que o seu destino seja o caixote do lixo, optam por vendê-las, colocá-las no mercado. “Nota-se que lhes custa separarem-se da colecção, mas é como se sentissem confortados por saber que assim estas vão continuar a circular, a ser devidamente apreciadas, quem sabe encontrar o carinho duradouro de outro coleccionador mais novo”, refere Íris.
Continuo a explorar a loja. Encontro bilhetes da STCP, classe A, 82$00, destino incerto; uma colecção de 270 calendários do F.C. Porto, com os familiares bigodes de Mlynarzick, Zé Beto, Frasco, entre outros; uma apólice da Companhia de Caminho de Ferro de Penafiel a Lixa e a Entre-os-rios, datada de 1915, com o valor de cinquenta escudos.
Retiro de uma caixinha, repleta de moedas, 1 Peso do Chile de 1933, 50 Baht da Tailândia, 1000 Meticais de Moçambique, 5 Ore da Dinamarca (1951). Ao lado encontram-se diversos saquinhos com selos das mais variadas partes do mundo. 10 por 1 Euro. Há da Holanda, Hong Kong, África do Sul, China, Irão e Israel. Movido pelo simbolismo do momento, ainda procurei o da Palestina, sem sucesso. Postal ou política, a distância prevalece.
Percepcionando a minha curiosidade, Íris dirige-me a uma velhinha cadernetas de papéis de rebuçados Victória, dos anos 50. “Quem conseguisse reunir os 100 invólucros, ganhava uma bola”, relembra. Ao lado, uma antiga colecção de postais, manuscritos de forma tão bela quando indecifrável. Remetentes, destinatários e caligrafias perdidas no tempo.
Victor Melo

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